Roberto Simões
Presidente do SISTEMA FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais)
Desde 1841, anualmente, em Paris, é realizado o Salão da Agricultura, reunindo agricultores e pecuaristas franceses, além de atrair expositores de várias partes do mundo. O local do evento fica próximo do Palácio de Versalhes, a apenas 25 minutos do Arco do Triunfo, no coração da Cidade Luz, servido por várias linhas de metrô e de ônibus, além de ampla área de estacionamento. Esse é o mesmo tempo de percurso que separa em Belo Horizonte a Praça Sete do Parque de Exposições Bolívar Andrade, que desde 1938 recebe em seu espaço de 98 mil metros quadrados eventos agropecuários mineiros de repercussão nacional. A partir de 2005, com o lançamento da Superagro Minas, essa vitrine ganhou status internacional.
Os números de Minas, no âmbito agropecuário, exigem mesmo uma vitrine da sua dimensão. Alguns deles: 25 milhões de sacas de café (52% da safra nacional), 60,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 22,5 milhões de bovinos, 7,9 bilhões de litros de leite, 6,1 milhões de toneladas de milho, além de 1,5 milhão de hectares de florestas plantadas e grande produção de aves para abate, frutas, legumes, alho e hortaliças. Assim, como na França, é preciso que periodicamente o campo mineiro venha a BH mostrar sua força. Para o governador Antonio Anastasia, “a produção não surge sozinha da terra. Precisamos do esforço e da dedicação humana, e esse reconhecimento é fundamental.”
A agropecuária responde por um terço do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas e um grande centro metropolitano como Belo Horizonte, que se credencia cada vez mais como polo brasileiro de feiras e eventos de referência internacional, é o lugar natural para o agronegócio mineiro apresentar suas cartas, sua força humana, social e econômica aos olhos domésticos, do Brasil e do mundo.
Sabemos do firme e inalterável compromisso institucional do governador Antonio Anastasia com o fortalecimento do agronegócio mineiro como instrumento estratégico que é, com seus 400 mil empresários rurais, do desenvolvimento social e econômico do estado. Diante disso, sugerimos a ele abrir uma ampla audiência pública sobre a destinação logística do parque, que precisa passar por uma total remodelação, para que possa estar de fato no século 21.
A execução de um projeto dessa magnitude não pode ficar nas mãos apenas do estado, ao qual caberia a coordenação, por intermédio do vice-governador Alberto Pinto Coelho, ancorado pelos secretários de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Elmiro Nascimento, e de Turismo, Agostinho Patrus Filho. A iniciativa privada seria chamada a participar desse processo de requalificação do Parque Bolívar Andrade, recuperando-o do natural anacronismo em que se encontra, depois de sete décadas de sua criação, por meio da implementação de uma parceria público-privada (PPP).
A exemplo do Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, poderão ser instalados na Gameleira pavilhões multiuso, adequados aos padrões internacionais, adaptando-os a quaisquer escalas ou tipos de eventos, superando limitações e obstáculos enfrentados hoje pelos expositores. Áreas modulares permitiriam, ainda, diferentes tipos de instalações, nas quais os eventos agropecuários seriam realizados na modalidade in door.
Seu gestor, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), teria meios, com recursos captados no setor privado, de solucionar os desafios que o desenvolvimento exige, assegurando àquele espaço condições de ficar integrado ao Expominas, se tornando um centro de convenções de padrão de Primeiro Mundo. Essa iniciativa, que pode ser vista como um case criativo, é fundamental para que o agronegócio mineiro preserve sua vitrine histórica e permanente, ajustada às fronteiras que a segunda década do século 21 nos impõe. Isso, sem sermos ingratos com a história. Há 104 anos, o então governador João Pinheiro comprou a Fazenda da Gameleira, por 8 mil réis, para instalar nela um centro de formação agrícola, o Instituto João Pinheiro. Trinta anos depois, nasceria o atual parque de exposições. O novo, que queremos ver funcionando, nos exige bem mais pressa.